Rainha Elda Viana

 

♚ Rainha Elda Viana 


♚ “Eu sou rainha Elda da Nação do Maracatu Porto Rico e também yalorixá da Macaia de Oxossi. Desde 17 anos de idade conheci a minha religiosidade e o candomblé […] primeiro conheci a Umbanda depois o Nagô, Angola e por último Jeje aonde eu me encontro realizada a mais de 43 anos. Sou a única rainha coroada dentro da Igreja de Nossa Senhora do Rosario dos Homens Pretos. “

A cerimônia foi realizada pelo cônego Miguel Calvalcante, em 8 de outubro de 1980, na  Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, do Bairro São José Recife, PE.

 

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RAINHA ELDA VIANA

“Maracatu é candomblé, é pra gente se desmanchar na avenida…” (Elda Viana)

ELDA IVO VIANA, mulher guerreira, mãe amiga, nasceu no bairro da Mangabeira Casa Amarela, vindo de família religiosa da igreja Assembléia de Deus. Aos 17 anos, no Rio de Janeiro, já casada, conheceu a religiosidade afro descendente, primeiro a umbanda, depois o candomblé, com um grande conhecimento em várias nações porque passou pela Nagô, Angola e por último Gegê, onde se encontra até hoje, há mais de 40 anos.

Mãe de 4 filhos, biologicamente falando, porque dentro da nação criou dezenas, funcionária pública aposentada, professora e responsável pela alfabetização de muitas crianças do bairro. Já trabalhou muito para chegar aonde chegou e hoje dedica toda sua vida ao social tentando mostrar que através da arte e cultura podemos ter um mundo melhor.

Entrevista com Dona Elda

O que é maracatu para a senhora?

Uma Nação espiritual, vem de origem africana, é nagô, nagô… (cantando). É candomblé, é toque pra gente se desmanchar na avenida, quem disser que não é está mentindo.

Dona Santa, dona do Elefante (Nação Elefante, a mais antiga dos maracatus), já se manifestava como Oxum na avenida.

Qual sua primeira lembrança quando se fala em maracatu?

É Seu Eudes Chagas. Seu Eudes foi quem me ensinou tudo, sobre a boneca, o jogo de búzios, a sabedoria. Não fui ver ele morto, nem no enterro. Não tinha como, tudo que aprendi foi com ele.

Como era antigamente?

Quando cheguei na avenida, em 1990, criança era proibida de desfilar, só tinha idosos, com as saias compridas, chitão, cobrindo os pés… Lembro de seu Luiz Mãozinha, que era o melhor que tinha de todos, ele só tinha um dedo… E quando cheguei já botei a corte mirim… Agora está demais, vindo carro alegórico, corte de baile municipal, parece mais escola de samba…. se me tirarem esse ano estou saindo, maracatu não é isso não.

Quais as obrigações de uma Rainha?

Respeitar a origem do orixá, adorar os santos como adora a si mesmo, trabalhar com amor, e sempre servir o próximo. Se tiver dois pães come um e dá o outro. A próxima rainha da Porto Rico será minha filha, já foi coroada.

E o que é profano e o que é religioso?

Profano não sei o que é isso não, agora religioso é quando os bombo bate, dá um arrepio no corpo e aquela coisa na alma. Isso é maracatu. E de baque virado viu fia? Você já viu aquele toque, e cantando nagô, nagô

(cantando)? Maracatu é candomblé, é pra gente se desmanchar na avenida”.

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Personagens do CORTEJO REAL do Maracatu

 

A Corte Real é formada pelos por todos que participam do grande desfile promovido pelo casal real, onde a corte e seus convidados se apresentam para a população como se fossem a caminho de uma grande festa.

A corte é liderado pela rainha ou imperatriz  e pelo rei ou imperador que desfilam sob o Pálio, um imponente guarda-chuva.

Nagô, Nagô / Nossa rainha já se coroou!

Príncipe e princesa, duque e duquesa, marquês e marquesa, conde e condessa se apresentam com os convidados de outros impérios, embaixador e embaixatriz, cônsul e consulesa.

Ao som do Batuque – a orquestra dessa nobre corte -,

e do canto do mestre,

as Damas-do-Paço giram com as calungas – entidades das águas, éguns

e com elas outros seguem, entidades ou pessoas.

 

 

PERSONAGENS DO DESFILE

Baianas de cordão Elas ficam dispostas em fileiras laterais, e vestem roupas padronizadas confeccionadas com chita.

Baianas – as de branco são obrigatórias

Baiana rica – Suas roupas são exuberantes.

Calungas são elementos sagrados nos candomblés de Pernambuco. São bonecas de madeira ou de pano que representam éguns, mortos, como dona Júlia, calunga da Nação Porto Rico, que foi feita por Eudes Chagas para homenagear dona Santa, a lendária rainha da Nação Elefante.

Caboclo de pena Personagem que representa um índio, e traz consigo arco e flecha.representado pela sabedoria dos povos indígenas e a proteção dos espíritos das florestas.

Damas de frente – Mulheres ricamente trajadas, com chapéus ornados com flores.

Damas de honra     Crianças que mantêm suspensas as capas do rei e da rainha.

Dama-do-paço –  São personagens extremamente importantes dentro do maracatu de baque virado. Podem ser de uma a quatro. Elas conduzem as calungas, as bonecas.

Lanterna – são adereços, lampiões de luxo; é como se eles estivessem iluminando o cortejo.

Porta-estandarte- Figura que abre o cortejo, o porta-estandarte aparece vestido como um regente e carrega a bandeira do maracatu.

Rei e rainha Figuras centrais do cortejo.

Soldados romanos – levam escudos e lanças.

Vassalo – Figura que aparece abanando o casal real.

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“Porto Rico tem um Cortejo Real

Porto Rico tem um
Cortejo Real

Quando chego na rua, saravá a nação

quando chego na rua, saravá a nação”

Corte de Porto Rico

Rainha Elda
Viana

Rei Riva

A rainha e o rei da Nação de Maracatu Porto
Rico foram coroados dentro da igreja católica como no passado eram feita a
coroação do rei de congo, prática implantada no Brasil supostamente pelos
portugueses e, por conseqüência, permitidas pelos senhores de escravos.

 

COROAÇAO DA RAINHA ELDA DA
NAÇAO DO MARACATU PORTO RICO

Cerimônia
realizada pelo cônego Miguel Calvalcante, em 8 de outubro de 1980, na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens
Pretos, do Bairro São José Recife, PE

 

COROAÇAO DO REI DA
NAÇAO DO MARACATU PORTO RICO

Cerimônia
realizada pelo padre Rinaldo, em 2 de abril de 2009, na Igreja Nossa Senhora
Das Graças, no Convento de São Felix de Cantalice, no Barrio do Pina Recife/PE

 

“Maracatu é candomblé, é pra gente se
desmanchar na avenida…” (Elda Viana)

ELDA IVO VIANA,
mulher guerreira, mãe amiga, nasceu no bairro da Mangabeira Casa Amarela, vindo
de família religiosa da igreja Assembléia de Deus. Aos 17 anos, no Rio de
Janeiro, já casada, conheceu a religiosidade afro descendente, primeiro a
umbanda, depois o candomblé, com um grande conhecimento em várias nações porque
passou pela Nagô, Angola e por último Gegê, onde se encontra até hoje, há mais
de 40 anos.

Mãe de 4 filhos,
biologicamente falando, porque dentro da nação criou dezenas, funcionária
pública aposentada, professora e responsável pela alfabetização de muitas
crianças do bairro. Já trabalhou muito para chegar aonde chegou e hoje dedica
toda sua vida ao social tentando mostrar que através da arte e cultura podemos
ter um mundo melhor.

Entrevista
com Dona Elda

O que é maracatu
para a senhora?

Uma Nação espiritual, vem de origem africana, é nagô, nagô…
(cantando). É candomblé, é toque pra gente se desmanchar na avenida, quem
disser que não é está mentindo.

Dona Santa, dona do Elefante (Nação Elefante, a mais antiga
dos maracatus), já se manifestava como Oxum na avenida.

Qual sua
primeira lembrança quando se fala em maracatu?

É Seu Eudes Chagas. Seu Eudes foi quem me ensinou tudo, sobre
a boneca, o jogo de búzios, a sabedoria. Não fui ver ele morto, nem no enterro.
Não tinha como, tudo que aprendi foi com ele.

Como era
antigamente?

Quando cheguei na avenida, em 1990, criança era proibida de
desfilar, só tinha idosos, com as saias compridas, chitão, cobrindo os pés…
Lembro de seu Luiz Mãozinha, que era o melhor que tinha de todos, ele só tinha
um dedo… E quando cheguei já botei a corte mirim… Agora está demais, vindo
carro alegórico, corte de baile municipal, parece mais escola de samba…. se me
tirarem esse ano estou saindo, maracatu não é isso não.

Quais as
obrigações de uma Rainha?

Respeitar a origem do orixá, adorar os santos como adora a si
mesmo, trabalhar com amor, e sempre servir o próximo. Se tiver dois pães come
um e dá o outro. A próxima rainha da Porto Rico será minha filha, já foi
coroada.

E o que é
profano e o que é religioso?

Profano não sei o que é isso não, agora religioso é quando os
bombo bate, dá um arrepio no corpo e aquela coisa na alma. Isso é maracatu. E
de baque virado viu fia? Você já viu aquele toque, e cantando nagô, nagô
(cantando)? Maracatu é candomblé, é pra gente se desmanchar na avenida”.

“As nações
são as nações, tudo o mais, desde que haja respeito, vem para reforçar o que a
gente faz, dar força”

Filho da Yalorixá (sacerdotisa da Macaia Ylê do Oxossi Guangobira)
e Rainha do Maracatu Nação Porto Rico, Dona Elda Viana, desde criança Mestre
Chacon esteve presente nas atividades religiosas e culturais desenvolvidas
dentro da Nação, vivendo diariamente o “aprendizado”.

Como era o
maracatu antigamente?

No maracatu antigamente era tudo muito pobre. Fazer maracatu
era assinar atestado de pobreza. Era visto como coisa do mal, de “macumbeiros”,
havia muita discriminação. Andávamos a pé, passamos fome, sede, ninguém queria
dizer que era batuqueiro. Tinha o desprezo da sociedade, do poder público, de
todo mundo. Hoje a situação é diferente, tem maracatu aí que é só gringo
tocando no Carnaval.

Na Nação
Porto Rico tem muitos de fora?

Na Nação 90% dos batuqueiros é nativo, da comunidade, e 70%
ligado à questão religiosa.

Como
conheceu o maracatu?

Quando tinha sete anos. Minha mãe, Dona Elda, me levava junto
na casa de seu avô de santo Eudes, que estava lhe ensinando o conhecimento do
Ifá (Jogo de Búzios). Era depois da escola, nos finais de tarde. Eudes falava
sobre o maracatu e eu já criança, ouvia atento. Minha mãe começou a sair de
baiana e eu de índio. Os irmãos de lanceiro e outros personagens, todos
envolvidos desde cedo. Apesar de ser novo –tenho 38 anos, sou o segundo mestre
com mais tempo de maracatu na atividade (atrás apenas de Mestre Toinho –
Encanto da Alegria), já são 31 anos de estrada.

Quais as
conquistas da Porto Rico?

Desde 1980, quando passou para as mãos de Mãe Elda, a Nação
Porto Rico perdeu três vezes no Carnaval e empatou duas.

O que é
maracatu?

Maracatu é religião, é vida, comunidade, força, conjunto.
Tudo que não se consegue ver, só sentir.

Como você
define a música da Nação?

O baque de Porto Rico é chamado Baque das Ondas, pela forma
cadenciada que lembra as batidas das ondas do mar. É a única nação que utiliza
os atabaques. Já fui muito criticado por isso, mas os pesquisadores afirmam que
o tambor de mão era um instrumento presente no maracatu antigamente. A grande
antropóloga Katarina Real, Guerra Peixe e Leonardo Dantas, relatam que no maracatu
eram utilizados instrumentos afunilados tocados com a mão ou baqueta. Também
triângulos, alfaias, zambumbas e a corneta de flandre. O nosso baque tem
bastantes variações e toques dos orixás. As toadas falam muito sobre a religião.

Como você
define Nação?

É a força maior que rege a religião. Na visão da Nação Porto
Rico não se separa o candomblé do maracatu, andam no mesmo sentido, respiram o
mesmo ar. Os ogans do terreiro são os batuqueiros do maracatu, os batuqueiros
do maracatu trabalham dentro do terreiro, é tudo próximo, tudo junto. Nas
outras nações costuma-se fazer a separação: profano é o maracatu, religioso a
nação. Na Porto Rico não existe essa separação.

Pelas toadas se percebe, se fala muito sobre os orixás. Dona
Ivanise (fundadora da Nação Encanto da Alegria) falava muito isso, que o
maracatu era a religião dela. E não tem mesmo como separar.

Como você
enxerga a responsabilidade do apito?

O mestre de apito tem a mesma responsabilidade que um ogan
alagbê, tem que ter muito conhecimento, e compromisso sobre o que vai ser
cantado, tocado. Tem a mesma responsabilidade que uma rainha num cortejo, com a
diferença de que nem todos os mestres têm compromisso religioso.

E a
pesquisa dos grupos, as influências?

A base para estudar o maracatu é o respeito. É preciso muito
conhecimento sobre o que se está fazendo. Vocês aí não são Nação, mas estão
representando elas, por isso a responsabilidade é muito grande. Os grupos que
estudam têm que fazer muita pesquisa, buscar com os mestres, na fonte, porque a
tradição oral é o mais valioso nessa cultura. Livros ajudam, mas ficam
defasados e não reproduzem totalmente a realidade do que é o maracatu. Conhecer
cada nação, seus conceitos, e a questão religiosa é fundamental para um grupo
que tem responsabilidade. O conhecimento do candomblé é essencial. Independente
de ser de outra religião, tem que saber o que está fazendo. Porque qualquer dia
alguém bota um microfone na sua boca e te pergunta o que é maracatu, você vai
dizer o quê? Se souber o fundamento vão ver que não é simplesmente uma
branquinha, universitária, que toca tambor porque acha bonitinho. Vão ver que
você sabe o que está fazendo, que tem responsabilidade, que honra o maracatu.

Você tem
mais algum conselho para os grupos?

Nunca utilizar o nome “Nação”, é algo que envolve muito axé,
soa como um desrespeito à origem. Também não se deve achar que as nações são
como times de futebol: o maracatu é um só. Você pode gostar mais de uma nação,
ou de outra, mas deve respeito a todas.

E sobre as
influências do maracatu na música, como fez o Nação Zumbi, o que você acha?

Eu acho legal, desde que se tenha consciência, não tenho nada
contra, é arte, é música, as nações são as nações, tudo o mais, desde que haja
respeito, vem para reforçar o que a gente faz, dar força.

EU SOU RAINHA ELDA DA NAÇAO DO MARACATU PORTO RICO E  TAMBEM YALORIXA DA MACAIA DE OXOSSI DESDE 17 ANOS DE IDADE CONHEÇI A MINHA RELIGIOSIDADE E O CANDOMBLE AONDE PRIMEIRO CONHECI A UMBANDA DEPOIS O NAGÔ, ANGOLA E POR ULTIMO JEJE AONDE EU MIM ENCONTRO REALIZADA A MAS DE 43 ANOS.

SOU A UNICA RAINHA COROADA DENTRO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DOS ROSARIOS DOS HOMENS PRETOS.
NO DIA 08/10/1980 PELO PADRE CONÊGO MIGUEL CAVALCANTE NO BARRIO DE SANTO ANTONIO RECIFE/PE

REI RIVA DE OXUM

Natural de Pernambuco numa linda cidade cheia de tradição, religião e cultura durante tempos de convivência na minha vida, na minha religião, aprendi a admirar as maravilhas da natureza ligada aos orixás.

Venho crescendo sempre,
gostando da minha vida espiritual aonde eu me encontro realizado com
muito axé e orgulho…

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