Maracatu Nação Porto Rico

data de fundação 7 de setembro de 1916
Rainha e yalorixáElda Viana Rei – Riva
calungas – dona Inês, princesa Elisabeth e dona Bela
símbolo - O barco Santa Maria
mestre – Shacon Viana (Jailton Chacon Viana).
Instrumentos: alfaias melê, biancó, yan, e yandarrum, caixa, tarol, mineiro, abe, gonguê, timba, ilú, apito.
Endereço: Rua Eurico Vitrúvio, 483 – Pina Recife/PE BRASIL  CEP: 51.011.140
Fones:  +55 (81) 3328.4474 Sede
+55 (81) 8602.3752  Mestre Sha­con / +55 (81) 9488.6242  Mestre Sha­con
e-mail – jshacon@hotmail.com
Site - http://nacaoportorico.maracatu.org.br
Blog do Rei Riva – http://reirivadeoxum.webnode.pt/

pesquisa
  • http://grupocapivara.multiply.com/journal/item/10/Porto_Rico
  • http://reiriva.blogspot.com/2009/06/historia-da-minha-nacao-apos-uma-longa.html
  • Batuque Book, Climério de Oliveira Santos e Tarcísio Santos Resende
  • Eudes, o rei do Maracatu, Katarina Real. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2001. 144p. ISBN 85-7019-370-X
  • Maracatus do Recife. GUERRA-PEIXE.  Recife: Irmãos Vitale, Fundação de Cultura, Cidade do Recife,1980.

  • Nossa História

    Porto Rico Carnaval 2010 Santa maria
    ” A MINHA NAÇÃO É NAGÔ
    A VOCÊS EU VOU APRESENTAR
    SOU DA NAÇÃO PORTO RICO
    FAÇO NO APITO OS TAMBORES FALAR [...]”


    O Maracatu Porto Rico tem um histórico de resistência, de idas e vindas, surgimento e desaparecimentos sucessivos, até chegar ao apogeu de sua contemporaneidade. Sua fundação oficial em livro de registro data de 1916, na cidade de Palmares/PE, desenvolvendo-se lá por vários anos.

    Sua fundação oficial em livro de registro data de 7 de setembro de 1916, no sitio de Palmeirinha, na cidade de Palmares/PE, sob liderança de João Francisco do Itá.

    Chico de Itá foi  rei da nação e remanescente do Quilombo dos Palmares e a rainha citada na ata é Maria dos Prazeres. Pereira da Costa publica uma nota em um jornal recifense, de 1914, uma informação que contradiz essa data de fundação: Fez ontem seu dendê em frente a nossa tenda de trabalho o velho Maracatu Porto Rico”. [1]

    Dessa forma, segundo Pereira da Costa, Porto Rico já era um velho maracatu 2 anos antes de nascer. Guerra Peixe conclui que essa fundação é apenas uma nova fase de uma agremiação que já existia.

    Por falta de incentivo, a Nação entrou em declínio, reaparecendo sob a tutela de Zé da Ferida, em Recife, no bairro de Água Fria, com o apoio de Pereira da Costa e da COC (Comissao Organizadora do Carnaval). Zé da Ferida era remanescente do Quilombo dos Palmares, segundo Guerra-Peixe, e participava do grupo homônimo de lá. É ainda no livro deste autor que encontramos que lá eram usados ‘mulungus”, instrumentos semelhantes ao atabaque, ao invés de zabumbas. No século XXI, Mestre Shacon Viana trouxe de volta os tambores de mão para o som do Maracatu Porto Rico.

    O mulungo é um instrumento em forma afunilada, medindo cerca de cinquenta centímetro de altura, tem uma só membrana, amarrada a corda e é suspenso por outra corda (seria o talabarte) que passa pelo ombro do executante. Podia ser percutido com as mãos ou com maçanetas. no primeiro caso, o couro era de cabra; no segundo, de bode.

Durante anos participou dos desfiles de carnaval até que a repressão às manifestações afro-brasileiras foi imposta, fragmentado os grupos organizados, em especial as Nações do Maracatu e, na década de 50, após a morte do mestre Zé da ferida, o maracatu foi recolhido para o museu.

Apenas no final dos anos 60 o maracatu Porto Rico foi resgatado e voltou às ruas de Recife. Reinaugurado com o nome de Porto Rico do Oriente em 1967, no bairro do Pina, com o coroado mestre e Babalorixá José Eudes Chagas e o apoio de Luiz de França e Veludinho (o mais antigo batuqueiro de maracatu de Recife), venceu o carnaval de rua de Recife no ano seguinte, na categoria de maracatu-nação, com todo seu esplendor, quando trazia em seu desfile uma réplica da caravela Santa Maria, iluminada por dentro e rolando sob rodas de bicicleta, recebida de presente de um artesão da comunidade do Pina. Essa réplica represent a a chegada de escravos africanos no Brasil e é utilizada como símbolo da Nação Porto Rico.

    No mesmo carnaval o Maracatu Porto Rico foi homenageado pela Comissão Pernambucana de Folclore por ter sido responsável pela restauração de uma tradição folclórica em perigo de desaparecimento. Destacando-se nesse período a atuação da antropóloga Katarina Real , quem entregou o prêmio e muito contribuiu para a pesquisa e a preservação do folclore Pernambucano e a reorganização do carnaval de Recife, principalmente ao resgate da Nação Porto Rico.

    Fica aqui nossa homenagem para esta corajosa mulher que tanto se dedicou ao estudo e preservação de nossas origens e de nossa história.


    (Rei Riva, Felipe do grupo Quiloa – Santos, SP -, Rainha Elda, Carnaval de 2011)

    Rei Riva, Felipe e Rainha EldaEm 1978, com a morte de Eudes, mais uma vez o maracatu retorna ao museu, ressurgindo em 1980, com a última rainha coroada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Yalorixá Elda Viana, cerimônia posteriormente proibida pelo Vaticano por causa da sua ligação com o candomblé.

    Nos anos 80, Mestre Jaime e seu trabalho junto à Nação marcam nossa história .

    Mesmo sendo proibida a cerimônia Porto Rico teve mais uma coroação do seu Rei sendo essa na igreja da comunidade do Pina pelo Padre Rinaldo no dia 02 de abril de 2009. Hoje Porto Rico tem sua Rainha Elda Viana e seu Rei Riva, ambos coroados na igreja como no passado, em cerimônia supostamente feita pelos portugueses no Brasil.


    [Rainha Elda Viana e Rei Riva  no Carnaval de 2011 com Felipe (Quiloa), Glória ( grupo Maracatucá), Kapitão (Caracaxá)].




    Abaixo, Mestre Shacon em Nantes, no encontro Europeu de Maracatu, em 2008.

    Mestre Shacon em Nantes, 2008.

    A Nação Porto Rico tem hoje como mestre Jailson Chacon Viana, filho da Rainha Elda, que se destaca pela criação rica de toadas e pelo diferencial instrumental no baque, como a introdução de atabaques e abês, em 2002.

Esse fato a fez receber muitas críticas, inclusive das outras nações de maracatu, porém essa introdução tem seu fundamento nas tradições africanas, pois, naquela época, os negros tocavam atabaques muito antes de desenvolverem outros instrumentos como observado por diversos pesquisadores em seus relatos históricos. Além disso encontramos no livro de Guerra-Peixe que a nação Porto Rico de Palmares utilizava ao invés de zabumbas os mulungus, instrumentos semelhantes ao atabaque tocados com as mãos ou com varetas. O mestre Shacon recriou no Maracatu Porto Rico a tradição sonora dos tambores tocados com as mãos.

No ano 2002 a nação gravou um CD, com o nome de Baque das Ondas, como é conhecido seu baqu e, devido a sua execução forte e ao mesmo tempo cadenciada, reverenciando o movimento do mar.

    Hoje a Nação do Maracatu Porto Rico é octa-campeã do carnaval recifense, exibindo sua excelente e rica organização instrumental, dividindo seus tambores, chamados de alfaias (também conhecidos por bombos e zabumbas) em quatro tipos, divididos pelo tamanho, o timbre e a sua função; seus nomes se originam do nagô: Melê, Biancó, Ian e Iandarrum.


    No carnaval de 2011 foi lançado também o DVD do Batuque Book, de Climério de Oliveira Santo e Tarcísio Santos Resende, onde se encontra registrado o baque da nação em 2006, data da gravação do DVD.

    Em 2011 a Nação Porto Rico tornou-se o maracatu de baque virado campeão do carnaval de Recife e inicia suas atividades como Ponto de Cultura. Nesse ano de renovação, a nação também renova usa sede, agora sendo reformada para atender suas tarefas educacionais de ensino do maracatu de baque virado somadas às novas que se iniciam.




    A Nação do Maracatu Porto Rico está, desde 1980, na Macaia do Oxóssi, no Bairro do Pina, à Rua Eurico Vitrúvio, 483. Ali desenvolvemos todo nosso trabalho e vínculos com a comunidade, com muita solidariedade, perseverança e respeito. Nossa casa é aberta para todos.

    Contamos com mais de 100 batuqueiros sendo que a maioria é nativo da comunidade do Pina e em média 70% estão ligados à questão religiosa na casa, o que significa maior responsabilidade com o trabalho da Nação.

    Leleu e dona Bela

    Dama do Paço

    do blog do rei Riva: nossa Dama do Paço

    O terreiro (o Ylê) da Nação Porto Rico, é comandado pelo Oxossí Guangobira, porque mãe Elda Viana,rainha da nação, é filha do Oxóssi com Yansã de origem Jeje Nagô.

    Já a Nação Porto Rico é comandada por Ogum, nas cores verde e vermelho, porque Sr. Eudes Chagas – criador, rei, Babalorixá da nação e avô de santo de mãe Elda -, era de Ogum de Nação Nagô.

    São três as calungas da Nação do Maracatu Porto Rico:

    Dona Inês (a principal), Dona Elizabete e Dona Bela (a bruxa).

    DONÁ INÊS É NOSSA RAINHA,
    DE PALMARES A PALMEIRINHA
    CHEGOU CHICO DE ITÁ,
    SENHOR EUDES E ZÉ DA FERIDA
    A PRINCESA É ELISABETH,
    DONA BELA A BRUXARIA. (…)

    HISTORIA DA COMUNIDADE DO PINA


    Fundado enquanto Paróquia e instituído enquanto um bairro da cidade do Recife, o Pina, em especial a comunidade do Bode, é muito mais antigo do que relatam os registros de nossa cidade.

    Em tempos de Brasil colônia, o Pina era uma ilha onde ficavam os escravos doentes, antes dos navios negreiros aportarem no cais do Recife para descarregar as levas de escravos trazidos do Continente Africano. Muitos destes negros fingiam permanecer doentes por muito tempo para manterem suas liberdades em terras estranhas. E assim, o Pina cresceu, às avessas as regras e determinações do governo local.

    O Pina, e a comunidade do Bode, sempre foi conhecido enquanto localidade de maior concentração de comunidades religiosas de matriz africana. Daqui saiu um dos ramos do candomblé nagô de nosso estado. Aqui surgiram cultos religiosos que mantinham a tradição espiritual e cultura negra da comunidade.

    Com a ascensão do estado novo, o Governo em comunhão com a Diocese resolvem instituir em 1932 a paróquia do Pina, como forma de controle social e catequese desta população tão “contrária as Leis de Deus” (segundo livro de tombo da Paróquia). Desde o bairro de afogados até os Limites do Riacho da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, a Paróquia e Bairro do Pina foram instituídos, “criados”, e passariam a ficar sob júdice do Monsenhor José Fernandes, um padre rígido na missão de fazer cumprir as leis cristãs católicas.

    Com a Igreja construída na área onde tinha a mais tradicional comunidade religiosa do bairro, as demais famílias se viram repelidas a se refugiarem na beira da maré, para permanecerem com suas tradições longe dos olhos da Igreja.

    Hoje com cerca de 80.000 habitantes, o Pina precisa ser reconhecido como um dos maiores quilombos urbanos da cidade pois suas comunidades de matriz africana, seus terreiros e brinquedos tradicionais, formam uma grande família, onde cada um participa e auxilia nos ritos, festas e brincadeiras dos outros, não importando religião, ou se existe inimizade.

    O bairro do Pina tem muita música, muita cultura!

    Aqui encontramos o Maracatu Nação Porto Rico e o Maracatu Nação Encanto do Pina (http://encanto-do-pina.blogspot.com/) e outras entidades e grupos culturais como o Mazuca da Quixaba (http://grupomazucadaquixaba.wordpress.com).

    MAZUCA DA QUIXABA – TERÇA NEGRA – PÁTIO DE SÃO PEDRO – RECIFE – PE

    Imagem de Amostra do You Tube

    Imagem de Amostra do You Tube

sobre Pereira da Costa

“Salve Pereira da Costa
De Palmares a Palmeirinha”

Francisco Augusto Pereira da Costa (16/12/1851 – 21/11/1923).

Pereira da Costa foi historiador, folclorista e escritor. Filho de Manuel Brandão Pereira Costa e Maria Augusta Pereira Costa, nasceu no dia 16 de dezembro de 1851, na antiga rua Bela, nº 10 (atualmente rua Uchôa Cintra, nº 40), bairro de Santo Antônio.

[...] Pereira da Costa é autor de obras indispensáveis para o conhecimento da história e da cultura pernambucana. O folclore, o vocabulário, os heróis – tudo o que diz respeito ao estado foi pesquisado pelo autor. Como escritor, publicou 192 trabalhos, entre livros, periódicos e artigos. Os “Anais Pernambucanos”, sua obra principal, foi publicada em 1951 e conta com cerca de cinco mil páginas que narram a história pernambucana de 1493 a 1850. Outras obras também tiveram grande destaque, como Folk-Lore Pernambucano, editado em 1974, e Vocábulos Pernambucanos, de 1976. “Enciclopédia Brasileira” (1889); “Dicionário Biográfico de Pernambucanos Célebres”

Texto completo em http://www.liber.ufpe.br/pc2/quem.jsp




[1] PEIXE, Guerra. Maracatus do Recife. p.89. (minha copia do livro não traz as indicações de editora e ano.)

Pereira da Costa folclorista

Artigo de Luís da Câmara Cascudo, publicado na Folha da Manhã, de Recife, a 16 de dezembro de 1951, dia do centenário de nascimento de Pereira da Costa.

[...] O Folclore pernambucano é o melhor documentário que ainda possuímos sobre o assunto no nordeste e norte do Brasil. Indispensável para o confronto das sobrevivências e “constantes”, mais precioso se torna como fonte de consulta para o estudioso de outros países porque será uma visão do conjunto de quase todos os aspectos (exceto a novelística) do folclore brasileiro.

Texto completo em http://jangadabrasil.com.br/fevereiro30/al300200.htm

[...] Pereira da Costa é daqueles esquecidos (ou silenciados, como prefere Alberto Cunha Melo). Quem quiser encontrá-lo poderia tentar nos sebos, onde os seus livros são vendidos a preços exorbitantes. Ou nas bibliotecas. Mas as bibliotecas de Pernambuco são arremedos e vivem tão abandonadas quanto o próprio autor.

Pra que tanta ênfase num historiador que a maioria desconhece (a maioria desconhece todos os historiadores)? Melhor responder usando os versos feitos prosa de João Cabral de Melo Neto: “Ele foi quem mais ajudou o Pernambuco necessário, porque com sua aplicação, não de artista mas de operário foi reunindo tudo, salvando tanto o perdido quanto o achado”. Os versos feitos prosa de João Cabral de Melo Neto dizem-no bem de que modo compôs a sua história: “Sem o sotaque do escritor nem o demônio do missionário, só quis de pernambucania ser simples professor primário.”

HÉLIO, Mario. O Mestre de Todos Os Pernambucanos, “O mestre de todos nós” faz 150 anos , Recife, Jornal do Commercio, 04.12.2000 http://www2.uol.com.br/JC/_2001/0303/cu0412_1.htm